Marcha das Mulheres 2026: luta nas ruas, enfrentamento às violências e defesa da vida
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- há 5 dias
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As ruas voltaram a ser ocupadas por mulheres em marcha, em movimento, com suas vozes coletivas em prol de reivindicações urgentes. Em diferentes territórios do Brasil, manifestações foram realizadas a fim de afirmar que a vida de todas as mulheres importa — e que não há democracia possível sem justiça de gênero.

Com o mote “Pela vida das mulheres! Contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1!”, o Movimento Coralinas, ao lado de outras organizações feministas e movimentos sociais, construiu uma ampla jornada de mobilizações no mês de março de 2026.
Marcha das Mulheres 2026: mobilização nacional, unidade e luta feminista
Entre os dias 7 e 14 de março, foram realizados cerca de 70 atos em todo o Brasil. As ações incluíram marchas, atos políticos, feiras de economia solidária, rodas de conversa e atividades culturais, expressando a diversidade e a potência da luta feminista.
A articulação nacional envolveu 42 organizações feministas, movimentos mistos e entidades sindicais e partidárias do campo da esquerda. O Manifesto Nacional do 8 de março recebeu 436 adesões, consolidando uma construção coletiva ampla e capilarizada.
Além das ruas, a incidência política também se deu institucionalmente: no dia 5 de março, movimentos entregaram ao governo federal um documento com propostas e reivindicações em audiência pública.
Entre os principais pontos defendidos:
Enfrentamento às violências sistêmicas contra as mulheres
Fim da escala de trabalho 6×1
Reorganização e socialização do trabalho doméstico e de cuidados
Combate ao feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio
Marcha das Mulheres 2026 no Recife: mulheres nas ruas no dia 9 de março
No Recife, a mobilização aconteceu no dia 9 de março, reunindo mulheres em caminhada da Praça do Diário até o Shopping Boa Vista.
Com o mote:
“Pela vida de todas as mulheres: combate às violências e ao imperialismo! Pelo fim da escala 6×1. Aborto legal já!”
A marcha articulou pautas estruturais e urgentes, denunciando que a violência contra as mulheres não é episódica, mas parte de um sistema sustentado pelo patriarcado, pelo racismo e pelo capitalismo.
A presença nas ruas reafirma que a luta feminista é coletiva, territorial e contínua — construída no cotidiano e potencializada na mobilização.

Feminicídio em Pernambuco: uma realidade estrutural
A violência contra as mulheres segue como uma das expressões mais brutais das desigualdades de gênero.
Em 2025, Pernambuco registrou 88 feminicídios, um aumento de 15,8% em relação a 2024 — o maior número dos últimos oito anos. O dado chama atenção por ir na contramão da redução geral dos homicídios no estado, evidenciando que a violência de gênero possui dinâmicas próprias.
Casos recentes, como os assassinatos de Priscila Carla Pimentel e Isabele Gomes de Macedo, revelam a dimensão dessa violência, frequentemente praticada por parceiros ou ex-companheiros e marcada por extrema crueldade.
Especialistas apontam que o problema atravessa todas as classes sociais e exige políticas públicas estruturais, com destaque para o papel da educação no enfrentamento ao machismo.
2026: mais de 8 mil casos de violência em apenas dois meses
Os dados mais recentes reforçam a urgência do enfrentamento.
Nos dois primeiros meses de 2026, Pernambuco registrou 8.103 casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, o equivalente a uma média de 137,3 vítimas por dia.
Outros indicadores alarmantes:
18 feminicídios entre janeiro e fevereiro (média de 1 a cada 3 dias)
40 mortes violentas intencionais de mulheres, aumento de cerca de 21,2% em relação ao mesmo período de 2025
16 tentativas de feminicídio já registradas em janeiro
2.253 casos apenas na Região Metropolitana do Recife
Mesmo com estabilidade no número de feminicídios em relação ao início de 2025, o volume total de ocorrências evidencia uma violência persistente e estrutural.
Como denunciar violência contra a mulher em Pernambuco
O acesso à denúncia é fundamental para romper ciclos de violência. Em Pernambuco, os principais canais são:
📞 180 – Central de Atendimento à Mulher (24h)
🚔 190 – Polícia Militar (em situação de emergência)
☎️ (81) 3421-9595 – Disque-Denúncia
📞 0800.281.9455 – Ministério Público de Pernambuco
📞 0800.281.8187 – Ouvidoria da Mulher
Também é possível consultar as Delegacias da Mulher no site do TJPE.
A luta segue: organização, resistência e transformação
A Marcha das Mulheres de 2026 reafirma que a luta feminista é indispensável para a construção de uma sociedade justa.
Entre as ruas e os dados, entre a denúncia e a proposição, permanece um compromisso coletivo: transformar as estruturas que sustentam a violência.

“Precisamos estar mobilizadas em todas as pontas, atentas nas várias formas de combater a misoginia e o avanço de violências como o feminicídio. Este é o trabalho que realizamos a partir da perspectiva do futebol e da arquibancada, onde essas violências também persistem e são continuamente estruturadas. Resistimos e insistimos em mudar essa lógica machista e violenta.”
Priscila Azevedo, liderança do Movimento Coralinas.


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