
QUEM SOMOS
O Movimento Coralinas é um coletivo político feminista fundado em 2016, no Recife (PE), a partir da organização de mulheres torcedoras que passaram a se articular diante das violências vivenciadas nas arquibancadas de futebol. Desde então, o movimento ampliou sua atuação, mobilizando mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ na defesa do direito ao lazer, ao esporte, à cidade e à existência sem violência.
Compreendemos a arquibancada como um território político, cultural e de educação não formal, onde normas, discursos e relações de poder são constantemente produzidos e disputados. Nossa atuação parte da presença coletiva, do acolhimento e da organização em dias de jogos, enfrentando o machismo, a misoginia e a LGBTfobia que atravessam a cultura torcedora do futebol no Brasil.
Ao longo de 10 anos de atuação, o Coralinas construiu ações de formação política, mobilização social e incidência institucional, dialogando com torcidas organizadas, clubes, movimentos sociais, escolas, universidades e órgãos públicos. Atuamos a partir do entendimento de que a violência no futebol é estrutural e complexa, e que seu enfrentamento passa pelo diálogo, pela escuta e pela construção coletiva de caminhos possíveis.
Nossa trajetória inclui articulações locais e nacionais, participação em processos formativos, atuação no campo legislativo e a construção de redes de apoio que garantem a permanência de mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e crianças nos estádios.
O Coralinas segue em movimento, reafirmando seus princípios de aliança, resistência, transformação e pertencimento, e contribuindo para a construção de um futebol mais democrático, acessível e popular.
Participaram da fundação do Movimento Coralinas, no dia 6 de agosto de 2016, no Pátio de Santa Cruz, na Boa Vista, Recife-PE:
Ariana Alves, Juliana Fernandes, Laís Amorim, Mariana Nascimento, Rafaela Inácio, Thammy Dantas e Vanessa Arruda.
O QUE NÓS FAZEMOS
Da arquibancada, um campo político
O Movimento Coralinas atua no enfrentamento às violências de gênero e à LGBTfobia no futebol a partir de ações contínuas de formação, mobilização e diálogo, reconhecendo a arquibancada como um espaço central de disputa cultural e política.
Formação e educação não formal
Desenvolvemos oficinas, rodas de conversa e processos formativos voltados a mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e lideranças de torcidas organizadas, abordando temas como gênero, sexualidade, direitos humanos, futebol e interseccionalidades. Entendemos a arquibancada como um espaço de aprendizagem coletiva, onde práticas e discursos podem ser questionados e transformados.
Organização e acolhimento na arquibancada
Atuamos na organização coletiva em dias de jogo, promovendo acolhimento, presença conjunta e demarcação simbólica e territorial nos estádios. Essas ações visam garantir condições mais seguras para a permanência de mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e crianças nos espaços do futebol.
Diálogo com torcidas, clubes e instituições
Promovemos diálogo permanente com torcidas organizadas, clubes de futebol, poder público e forças de segurança, buscando construir aproximações e refletir coletivamente sobre as violências que atravessam o futebol, em especial a de gênero e a LGBTfobia. Nossa atuação parte do reconhecimento de que essas violências são estruturais e exigem respostas construídas de forma compartilhada.
Incidência política e articulação em rede
O Coralinas atua em articulações locais e nacionais, dialogando com movimentos sociais, organizações da sociedade civil, escolas, universidades e organismos institucionais. Também incidimos no campo político-institucional, contribuindo para o debate e a formulação de políticas públicas voltadas à promoção de direitos humanos e à paz nos estádios.
Produção de memória e narrativas
Registramos, produzimos e compartilhamos estudos, pesquisas, memórias, reflexões e narrativas a partir da experiência de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ no futebol, fortalecendo a visibilidade dessas presenças e disputando os sentidos sobre quem pode ocupar a arquibancada.
MOVIMENTO CORALINAS
MISSÃO
A missão do Movimento Coralinas é articular mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e aliados da causa na defesa do direito ao lazer, ao esporte e à cidade no contexto do futebol, atuando por meio do acolhimento, da formação política, do diálogo e da incidência para enfrentar as violências de gênero e a LGBTfobia nas arquibancadas e nos espaços públicos.
VISÃO
Fortalecer uma cultura do futebol baseada nos direitos humanos, na participação social e no respeito à diversidade, considerando os atravessamentos do gênero, raça e classe. Ser parte ativa da construção de uma arquibancada onde a pluralidade de corpos, vozes e experiências tenha lugar e legitimidade, além de ser reconhecida como espaço de convivência, disputa política e produção de cidadania.
VALORES
Aliança
Acreditamos na construção coletiva, no diálogo e na articulação entre mulheres, pessoas LGBTQIAPN+, torcidas, movimentos e instituições como caminho político.
Resistência
Enfrentamos o machismo, a misoginia e a LGBTfobia a partir da presença, da organização e da permanência nos espaços historicamente excludentes do futebol.
Pertencimento
Defendemos o direito de existir, torcer e circular com dignidade, reconhecendo a arquibancada como espaço legítimo para corpos diversos.
Cuidado
Atuamos a partir do acolhimento, do cuidado compartilhado e da responsabilidade coletiva, especialmente com mulheres, crianças e pessoas vulnerabilizadas.
Educação não formal
Reconhecemos o futebol e a arquibancada como espaços pedagógicos, onde práticas, discursos e relações de poder podem ser questionados e transformados.
Autonomia e horizontalidade
Valorizamos processos participativos, escuta ativa e decisões construídas de forma coletiva, respeitando as diferenças e os tempos do movimento.
Compromisso com os direitos humanos
Orientamos nossas ações pela defesa da dignidade, da justiça social e da democracia, entendendo o futebol como parte das disputas mais amplas da sociedade.