Mulheres nas arquibancadas: ocupar espaços para enfrentar a violência no futebol
- movcoralinas

- há 2 horas
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A presença de mulheres nos espaços institucionais como forma de combate à violência de gênero no futebol.
É com muita alegria que anunciamos que Anny Gomes, integrante do Movimento Coralinas, passa a compor a Comissão de Prevenção e Acompanhamento da Violência no Futebol da OAB/PE.
A presença de Anny nesse espaço revela uma disputa concreta por voz, representação e por transformação dentro de estruturas historicamente masculinizadas.
Quando mulheres ocupam espaços institucionais ligados, como o da OAB/PE, a fim de olhar para as vivências que permeiam o futebol, elas deslocam prioridades, tensionam discursos e ampliam o que pode ser reconhecido como violência nesse contexto.
Violência no futebol a partir da perspectiva de gênero
A discussão sobre violência no futebol brasileiro, com frequência, é reduzida a conflitos entre torcidas, brigas ou segurança nos estádios. No entanto, essa abordagem ignora dimensões fundamentais da experiência de mulheres nas arquibancadas.
Para além da violência física, mulheres lidam cotidianamente com:
Assédio sexual
Comentários misóginos
Tentativas de silenciamento
Questionamentos constantes sobre sua legitimidade como torcedoras
Exclusão de espaços de decisão e organização
Essas práticas são parte de uma estrutura que regula quem pode ocupar a arquibancada e em que condições e, no limite, trata-se de misoginia.
A arquibancada, nesse sentido, também é um espaço de produção de normas sociais, onde gênero e sexualidade são constantemente policiados.
O avanço do debate institucional: misoginia como crime
Esse cenário ganha novos contornos com a aprovação do PL 896/2023 no Senado Federal, que propõe reconhecer a misoginia como forma de discriminação.
Caso aprovado também na Câmara dos Deputados, o projeto representa um avanço importante ao:
Nomear a misoginia como violência
Reconhecer seus impactos sociais
Criar mecanismos legais para responsabilização
No contexto do futebol, isso abre margem para que práticas historicamente naturalizadas — como cantos ofensivos, xingamentos e constrangimentos dirigidos a mulheres — passem a ser problematizadas também no campo jurídico.
É uma passo importante para sair da lógica repetitiva - e ineficaz - de apenas punir, e passar a agir, também, a partir de contrapartidas sociais.
E é por isso que cargos como o agora ocupado por Anny são tão importantes.

Representatividade é condição de mudança
A ausência de mulheres em espaços de decisão não é neutra. Ela impacta diretamente o que é visto, o que é ignorado e o que é tratado como prioridade.
Quando mulheres não estão presentes:
Violências específicas deixam de ser reconhecidas
Políticas públicas são formuladas sem considerar suas experiências
A cultura da arquibancada segue sendo regulada por uma lógica excludente
Por isso, a presença de Anny Gomes na comissão da OAB/PE não é uma grande conquista a ser celebrada.
É a partir dessa ocupação que temas como violência de gênero deixam de ser marginais e passam a integrar, de forma estruturada, o debate sobre segurança e direitos no futebol.
Movimento Coralinas: atuação em rede e transformação social
O Movimento Coralinas segue atuando de forma articulada, ocupando diferentes espaços — das arquibancadas às instituições — para fortalecer o enfrentamento às violências e promover um futebol mais inclusivo.
Essa atuação se dá:
Na produção de conhecimento
Na incidência política
Na mobilização coletiva
No diálogo com o poder público
A entrada de Anny Gomes na comissão é mais um reflexo dessa construção coletiva, que se sustenta na aliança, na resistência, na transformação e no pertencimento.


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